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Caí num golpe do Pix: o que fazer nas primeiras horas (MED, banco e B.O.)

Caiu num golpe do Pix? Abra a contestação no app do banco agora: o MED aceita pedidos de até 80 dias e o prazo de análise é de 7 dias. Veja o passo a passo.

· 7 min de leitura

Mãos seguram um celular com fone de ouvido ligado, em close, sem mostrar o rosto

Se você caiu num golpe do Pix, abra agora a contestação (o pedido de devolução) no aplicativo do seu banco. O Banco Central permite pedir pelo MED, o Mecanismo Especial de Devolução, transações de até 80 dias, mas o tempo conta a favor do golpista: quanto antes o pedido chega, mais chance de o dinheiro ainda estar na conta dele. Você não precisa esperar o boletim de ocorrência para começar.

Este texto é informativo. Ninguém consegue garantir que o dinheiro volta: isso depende de o golpe se encaixar nas regras e de haver saldo nas contas por onde o dinheiro passou.

O que fazer nas primeiras horas

  1. Contate o banco pelo app ou por um canal oficial de atendimento. O Procon-SP orienta procurar o banco imediatamente e diz que a denúncia pode ser feita no próprio aplicativo, de forma automatizada, segundo o comunicado de 9/02/2026. Procure a transação no extrato do Pix e a opção de contestar.
  2. Diga que foi golpe ou fraude e conte o que aconteceu. O app vai perguntar o tipo de golpe, por exemplo falsa central de atendimento, loja falsa ou coerção. Seja objetivo: quem pediu o Pix, como, e quando.
  3. Peça o número do protocolo e guarde. Anote data e hora do pedido.
  4. Guarde as provas. Comprovante do Pix, prints da conversa, do anúncio, do site e do número de quem te contatou. Não apague a conversa.
  5. Proteja o resto das suas contas. Troque a senha do app do banco e do e-mail e confira se há outras transações que você não reconhece. Se deu dados ou instalou algo a pedido do golpista, avise o banco também.
  6. Registre o boletim de ocorrência (B.O.), de preferência no mesmo dia. Ele ajuda a documentar o crime e em eventuais ações futuras, mas não é etapa para abrir o MED (veja abaixo).

O que o banco é obrigado a fazer

Pelo Guia do Banco Central (versão 4.4), no momento da abertura do pedido o banco não deve analisar se a sua reclamação procede nem exigir documentos como o boletim de ocorrência. A primeira ação dele é abrir a chamada Recuperação de Valores, o mais rápido possível. O guia é voltado aos bancos, então é uma regra de funcionamento, não uma promessa a você: se o atendente pedir o B.O. antes de abrir o pedido, cite o MED e insista em que a contestação seja registrada.

A Recuperação de Valores é a versão atual do MED. Ela não olha só a primeira conta que recebeu o dinheiro: rastreia o caminho do dinheiro, bloqueia o saldo disponível nas contas por onde ele passou e devolve direto à vítima. O Banco Central explica que golpistas costumam pulverizar o valor entre várias contas e que o mecanismo antigo não alcançava isso (Voto 105/2025-BCB). A funcionalidade é obrigatória para os provedores de conta a partir de 2 de fevereiro de 2026.

Prazos reais do MED

Segundo o Guia do Banco Central, versão 4.4:

Etapa Prazo
Abrir o pedido (a partir da data do Pix) até 80 dias
Cada banco que recebeu o dinheiro analisa o caso até 7 dias corridos
Seu banco inicia a devolução, depois da análise até 72 horas
Cada banco que recebeu o dinheiro devolve até 6 horas

Com vários bancos na cadeia, o guia prevê que as devoluções saiam em sequência e que a etapa possa durar até 24 horas no caso de quatro bancos. Somando as etapas, o caminho completo pode levar cerca de 10 a 11 dias depois do pedido. Essa soma é uma conta nossa a partir dos prazos máximos do guia, não um número oficial do Banco Central.

Outros pontos que ajudam a entender o que esperar:

  • Bloqueio cautelar: o banco de quem recebeu pode bloquear o valor por até 72 horas quando suspeitar de fraude, para analisar melhor (guia, versão 4.4).
  • Devolução parcial: o bloqueio é do saldo disponível. Se o golpista já gastou ou transferiu parte do dinheiro, só o que restar pode voltar.
  • Prazo antigo: até a versão 4.3, o prazo de 80 dias valia para a transação original e o de contestação de uma devolução era de 30 dias. A versão 4.4, com vigência a partir de 1º/09/2026, iguala os dois em 80 dias.

Quando o MED funciona e quando não

O MED existe para os casos de fundada suspeita de fraude ou falha operacional de algum banco, segundo o Banco Central. Pelo guia:

Costuma ser caso de MED

  • Golpes em que um criminoso induziu você a pagar, como a falsa central de atendimento.
  • Compra em que o vendedor fraudador não entrega o produto ou manda algo totalmente diferente do anunciado.
  • Pix feito sob coerção de criminosos.

Não é caso de MED por fraude

  • Desacordo comercial: produto entregue fora do prazo, que não agradou ou que não corresponde ao modelo comprado, sem que seja fraude do vendedor. O guia diz que isso se resolve na Justiça e que o Pix não funciona como o chargeback do cartão (a contestação de compra).
  • Dinheiro que parou na conta de um terceiro de boa-fé, por exemplo alguém que recebeu o valor ao vender um produto de verdade.
  • Erro seu, como enviar o Pix para o destinatário errado. O Procon-SP também diz que o MED 2.0 não cobre erro do próprio consumidor.

Nessas situações, peça mesmo assim ao banco uma resposta por escrito e, se for compra, use também os canais do consumidor. O artigo sobre golpes da Black Friday e como saber se a loja é confiável explica como falar com a loja e o que fazer se a compra foi fraude.

Modelo de texto para o banco

Se o app não tiver a opção de contestar e você precisar escrever pelo chat ou por e-mail, adapte:

Fui vítima de golpe. Em [data e horário], fiz um Pix de R$ [valor] para [nome ou chave Pix de quem recebeu] a pedido de [quem falou comigo e como]. Solicito a abertura imediata do pedido de recuperação de valores no Mecanismo Especial de Devolução (MED), com bloqueio do saldo da conta destinatária e dos recursos seguintes. Anexo o comprovante e os prints. Peço o número do protocolo.

Modelo de texto para o B.O.

Descreva em ordem cronológica, sem opinião:

Em [data e horário], fui contatado por [telefone, perfil ou site] por quem se apresentou como [identidade alegada]. Fui induzido a fazer um Pix de R$ [valor] para [nome, chave Pix e banco do destinatário, se constar no comprovante], às [horário]. Percebi o golpe quando [fato]. Registrei contestação no banco [nome do banco], protocolo [número]. Anexo comprovante e prints.

Confira no site da polícia civil do seu estado como registrar o B.O.

Erros comuns

  • Esperar para “ver se resolve”: cada hora ajuda o golpista a repassar o dinheiro.
  • Ligar para o número que o golpista mandou para “cancelar” o Pix. Use só os canais que estão no app e no cartão do seu banco.
  • Pagar para “liberar” o dinheiro ou contratar quem promete recuperá-lo: isso é o segundo golpe. Quem abre o MED é o seu banco.
  • Contestar só no atendimento por telefone sem protocolo: sem número, você não consegue cobrar depois.

Próximo passo

Se o golpe foi hoje, pare de ler e abra o pedido no app. Se foi há semanas, ainda dá tempo até o 80º dia, contado a partir da data do Pix. Depois, anote o protocolo, junte as provas e registre o B.O.

Conteúdo informativo, não substitui orientação jurídica. As regras do Pix mudam: o texto vale para 30 de outubro de 2026, com base nos documentos do Banco Central citados acima.

Como este texto foi feito: escrito com apoio de inteligência artificial, checado em fontes e revisado pela equipe editorial. Veja como trabalhamos em /sobre. Encontrou um erro? Escreva para a gente em /contato.

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